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O Líder Antifrágil

postado em: 03/02/2018

O Líder Antifrágil

Basicamente, no que diz respeito à capacidade de se lidar com adversidades, podemos dividir as pessoas em três grupos: existem os frágeis, que, quando expostos ao caos e à desordem desfalecem e perdem o rumo. Os resilientes, que, quando submetidos a essas pressões, conseguem permanecer equilibrados e há um terceiro grupo que, nas mesmas situações, consegue prosperar e crescer. Esses são os chamados antifrágeis. Pessoas que, quando expostas à volatilidade e à incerteza, ficam melhores.

O Conceito de antifragilidade foi criado pelo economista Nassim Nicholas Taleb, que passou quase duas décadas atuando como operador da Bolsa de Valores até 2006, quando acumulou dinheiro suficiente para direcionar seu interesse ao que mais aprecia: escrever! Um ano depois de abandonar a bolsa, ele lançou seu livro mais famoso: A lógica do Cisne Negro.

Cisne Negro pode ser definido como um outlier ou um “ponto fora da curva”, um acontecimento de extrema raridade, que provoca um impacto violento e que é praticamente imprevisível, como os atentados de 11 de Setembro ou a ascensão do Google, ou mesmo a criação da internet.

Em seu terceiro livro, Antifrágil, Taleb não só apresenta exemplos de pessoas que possuem a habilidade de tirar proveito dos Cisnes Negros, mas também dá a “receita” para lidarmos com eles.

Nesse artigo, gostaríamos de compartilhar algumas dessas ideias do livro e também fazer um paralelo de como um Líder pode aumentar sua antifragilidade, de forma que ele, em sua posição, possa não apenas superar adversidades, mas também beneficiar-se delas.

Transformamos essas ideias em 5 dicas práticas para que o Líder possa criar um time antifrágil:

  1. O poder da ação!

O ser humano é muito melhor agindo do que pensando. Taleb resume bem essa ideia quando diz que “é melhor ser um ignorante antifrágil do que um inteligente frágil”.

Trazendo isso para o dia a dia do Líder, é possível afirmar que a baixa capacidade de ação está intimamente ligada à baixa disposição em correr riscos. Muitos líderes acreditam que conseguem se perpetuar em seus cargos somente evitando tomar decisões. Num cenário de incerteza, essa postura leva à perda de oportunidades e ao enfraquecimento da equipe, pois não desenvolve nas pessoas a habilidade de resolver problemas.

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  1. Restringir estratégias e programas top down

Taleb diz que tudo o que vem de cima para baixo fragiliza e bloqueia a antifragilidade. Um exemplo disso são os pais que atuam de forma neurótica e superprotetora na educação de seus filhos, imaginando que estão ajudando, quando em realidade os estão prejudicando e tornando-os superdependentes. Líderes que recorrem apenas ao sistema top down na tomada de decisão ou na elaboração de estratégias, além de correrem mais riscos em suas decisões, pelo conhecimento estar cada vez mais disperso, também acabam criando times pouco comprometidos. Existe uma relação muito óbvia que ilustra essa questão: quanto maior a participação, maior o comprometimento.

  1. Evitar a ilusão da resposta certa

Num ambiente de incerteza, a ilusão da resposta certa faz com que a empresa perca sua capacidade de se adaptar às situações adversas. E essa é a principal causa da fragilidade. Por um simples motivo: a aleatoriedade.

Utilizando uma metáfora de Taleb, insistir num plano que utiliza acontecimentos passados para projetar o futuro é como um peru que, por ser alimentado e bem tratado por dois mil dias seguidos, imagina que seu futuro está garantido, quando na verdade ele está às vésperas de ser servido na ceia de natal.

É por essa questão que Steve Jobs desconfiava das pesquisas de mercado e grupos focais, onde se pergunta o que as pessoas desejam. Seu modus era o de que as pessoas não sabem o que querem até mostrarmos a elas.


  1. Tratar o erro como aprendizagem

Um dos maiores ofensores para formação de um time antifrágil relaciona-se a forma como os erros são tratados. De forma geral, existem três maneiras de tratá-los. Um deles é a simples punição, exacerbando as consequências do ato. Outra alternativa é relevar a situação, considerando que as pessoas são imaturas e não possuem condições de arcar com suas decisões e uma terceira forma é tratar o erro como aprendizado e utilizando as novas informações para criar e revisar as ações e os planos da empresa.

  1. Utilizar o Planejamento de Cenários

Imagina-se, erroneamente, que planejar através de cenários significa elaborar 3 cenários distintos e destes escolher o mais plausível. Kess Van der Heijen, um dos maiores especialistas nesse assunto, responsável durante anos pelo planejamento por cenários na Shell, líder mundial nessa prática, entende que a melhor forma de elaborar uma estratégia é assumir a imprevisibilidade do ambiente e entender que a solução única e perfeita não existe!

Se você se interessou por esse assunto pode acessar esse programa produzido pela infomoney (https://www.youtube.com/watch?v=mWI9HZdsO8I) , em que dois profissionais apresentam os principais conceitos contidos no livro de Taleb. Além disso, caso queira conversar conosco em como transformar seus líderes e suas equipes em times antifrágeis, é só clicar.

Por Victor Bacchi, Consultor Nexialistas

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